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terça-feira, 19 de julho de 2011

Setembro de 1970

As ruas estão estreitas,
As luzes estão apagando-se.
Nos bares, eu vejo sorrisos,
Sorrisos genéricos.
Inalo odores putrefactos,
Que se misturam aos doces perfumes.
A chuva começa a tocar minha pele,
Enquanto essa overdose corrompe toda conduta descartável e superficial.
É o remédio antimonotonia,
Antimoralismo,antifanatismo,antipreconceito,anticomodismo.
Altas doses,
Frequentes convulsões.
As luzes acenderam-se,
Os olhos impugnantes insistem em dizer :
"Comece por você"
Joguei tudo na mala,
Dessa vez meu destino não foi a estação rodoviária,
Nem efêmeras doses de compaixão.
O destino é o adeus,
É o começo de um caminho sem volta,
É a impetuosa busca por melhoras,
De si próprio, da sociedade que vivo e da que deixarei.
Adeus.



sábado, 23 de abril de 2011

Gratidão

Oh famintos que buscam saciar-se,
e não toleram a fome alheia ,
Sois tão belos,
Sois tão puros,
mas açoitam os ímpios como o próprio demônio
São fontes ,
poços de morte.
Por todo lado estão declarando um falso amor
de braços cruzados.
Ceifam vidas e se declaram sal da terra
com lábios que proferem o julgar.
Cultuam a misericórdia,
desprezam seus semelhantes,
enriquecem com a ignorância.
Festejam a morte do seu senhor,
satisfazem-se com o sangue derramado
e proclamam a fé.
São famintos que buscam saciar-se,
e não toleram a fome alheia,
eternos famintos.