Na calmaria , ela se perdia. Suas pegadas não marcavam a areia. Nem se quer sentia seus pés. Ali estava o peso do seu desejo, um sabor ardente que incinerava a pele. A doçura contemplava apenas seus olhos , janelas do passado. Em cada brisa, pedaços de seus pensamentos eram levados. Sentia seu aroma inodoro e estagnava-se. Estava sendo corrompida por tudo que um dia colocara dentro daquela garrafa atirada ao mar. Não sabia para onde as cicatrizes tinham sido levadas, mas ainda as sentia e aquilo a esmagava, dilacerava seu corpo, roubava seus sonhos. E foi naquele fim de tarde ao se despedir do seu passado que ela dou-se ao presente : era mais uma menina embriagada pela solidão e acompanhada dos seus senhores. Aquele quarto tornou-se o seu lugar enquanto as notas de vinte cobriam seu corpo.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Eu perdido, eu contido, eu
Daquele corpo brotava gotas salubres. Os gritos eram ouvidos do corredor onde eu estava. Sob a cama havia folhas de caderno, umas rasgadas e outras em branco. O tom grave e constante rompia o silêncio, as vozes a atormentavam.Inerte e atormentada. Na sua frente a cena passava : Ele dizia que seus pensamentos seriam roubados pelas outros pacientes. A voz e o cheiro de sangue falavam a verdade. Era cada vez mais ensurdecedor, pareciam estar no meu quadro . Ali estavam. Aqueles gritos foram dados por ela... que era parte de mim.
É apenas o desenho de uma mente fragmentada. Um pequeno pedaço.
É apenas o desenho de uma mente fragmentada. Um pequeno pedaço.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Quase tudo que eu sei
Há algumas coisas que ela não ousaria dizer, e ele não se atreveria a ouvir. Existe um segredo, o qual podemos chamar de motivo. Circunstâncias se repetem fazendo com que o adorável menino chore copiosamente. Ele não tem mais dezesseis, não se chama João Roberto. É apenas mais um que traz consigo um passaporte carimbado pelo passado. Sua camisa de força não é branca, não tem fivelas, nem cintos , mas possui cheiros, olhares,afagos que o imobilizam. Seu corpo clama por uma cura. Ele está cansado, exausto. O caminho de volta fora perdido, mas ainda sim, ela estende a mão trazendo-o para perto daquela luz ofuscante. Eles não se separavam. Jamais se separariam. Eram um do outro e continuariam sendo até a próxima vida.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Setembro de 1970
As ruas estão estreitas,
As luzes estão apagando-se.
Nos bares, eu vejo sorrisos,
Sorrisos genéricos.
Inalo odores putrefactos,
Que se misturam aos doces perfumes.
A chuva começa a tocar minha pele,
Enquanto essa overdose corrompe toda conduta descartável e superficial.
É o remédio antimonotonia,
Antimoralismo,antifanatismo,antipreconceito,anticomodismo.
Altas doses,
Frequentes convulsões.
As luzes acenderam-se,
Os olhos impugnantes insistem em dizer :
"Comece por você"
"Comece por você"
Joguei tudo na mala,
Dessa vez meu destino não foi a estação rodoviária,
Nem efêmeras doses de compaixão.
Nem efêmeras doses de compaixão.
O destino é o adeus,
É o começo de um caminho sem volta,
É a impetuosa busca por melhoras,
De si próprio, da sociedade que vivo e da que deixarei.
Adeus.
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